terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sobre voltas e lero lero.



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A chuva fina e constante traz consigo a breve neblina. O vento sopra, e gelado chega minha janela, causando breves calafrios.

Ralf, eu estou inerte a madrugada por mais uma vez. Meus breves momentos de imaginação sucumbem ao cansaço pleno da alma e corpo, não mais acostumado a menos de 9 horas de sono.

Escuto as músicas que sequer sei cantar. Enrolo minha língua, que mal sabe pronunciar o português correto, para tentar acompanhar o inglês musical.

Ao som que escuto vou levando minha vida, até que boa e pacata. Busco a essência do meu viver, o surgimento de uma nova esperança e algumas coisas a mais.

Carrego dentro de mim o orgulho ferido e a forte vontade de querer voltar. Gostaria de voltar, mas já não sei se isso é possível.

Carrego o pesado fardo daquilo que insisto em não dar um fim. Ao contrário de outras vezes, eu estou bem. Não faço uso da tristeza para lhes descrever pensamentos e alucinações cotidianas.

Parte de mim fora perdida, mas seria hipocrisia dizer que mudei totalmente. Não me sinto mais maduro, nem quero isto, apenas sinto experimentar o gosto de tal rejeição e do bom abraço, às vezes mais válido que um dos tantos beijos que se pode encontrar pelas noites a fora.

Faço minhas brincadeiras e já escuto chavões antigos, dos quais me identifico.
Gosto de estar em companhia dos amigos, me distrai, mas também sei apreciar um belo momento de reflexão, mesmo que ele seja sempre igual e com o mesmo final, até então, triste.

Ralf, por favor, pegue um copo de Whisky, ou uma Vodka. Estou querendo afogar minhas mágoas, das quais já afoguei até minha própria auto-estima. Vamos brindar ao inconfundível e bom sarcasmo e que a ironia esteja presente nas diversas brincadeiras, assim como a idiotice deste que vos escreve.

Um tapinha no traseiro de uma bela garota e um brinde a volta, ou quase, desta característica imutável.


Matheus.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Sobre o último dia.


Eu a tive. Por mais um único momento, eu a tive em meus braços. Juntos, ao som de uma bela música, entrelacei meus lábios junto aos dela e vivi por mais um segundo o momento mais magnífico de toda uma vida.

Guardei aquele raro momento, seja de amor, ou esquecimento de problemas, em uma parte da qual ainda não conheço neste meu universo tão confuso.

A meia luz, eu segurei suas mãos e, como por mágica, meus gelados dedos se aqueceram rapidamente, assim como meu coração.

A paixão que reluzia de meus olhos parecia contagiante e mesmo eu, tão cético, agora acreditava em amor eterno.

O dia parecia não ter fim e nem eu queria que acabasse. Aproveitava cada momento como se fosse o último.

Declamava poesias e lia a ela alguns dos textos que a enderecei. Seu sorriso lindo me contagiava e mesmo sabendo que estava prestes a acabar, eu tentava contrariar o destino e mudar o curso de minha história, quase fábula.


O insucesso já era previsto e quando tudo se dissolvera no ar, a lembrança ficou e o arrependimento havia ido embora, silencioso deu lugar a forte e eternizada paixão.

Luto, até hoje, para lhe mostrar, mudar este conto de fadas sem um fim ainda prévio. A esperança é nula, mas insisto em sempre relembrar este último e belo dia.


Matheus.

domingo, 7 de setembro de 2008

Sobre se conformar.



Anseio a liberdade. Procuro em vão o que tenderia a silenciar meu amargo choro.


Entre os bocejos e as leituras cotidianas vou tentando me desvencilhar. O que parece difícil se torna impossível e já vejo o conformismo me rondar. Acostumei-me a não dar ouvidos aos murmúrios do coração, dilacerado, mas ainda assim apaixonado.


Vou, a passos largos, em direção ao abismo sentimental. O equilíbrio entre as ações e o sentimento parece estar sucumbindo a forte dor que sinto em meu peito.


Já não me decepciono e muito menos tento relembrar, mas não controlo as fortes ligações que ficaram marcadas em mim. Uma simples música, ou um simples ato. Soltos em um contexto, ou direcionados a tua pessoa, tudo me faz lembrar do quão bem fiquei e o quanto tentei lhe fazer feliz.


Não quero ser visto. Gostaria de manter o quase anonimato, esconder o que se estampa em minha testa e lhe ter somente mais uma vez.



Matheus.

sábado, 6 de setembro de 2008

Sobre o singelo olá.


Olá, não que seja simpático, mas hoje até que estou de bom humor.
Tento decretar o fim. Não obtenho sucesso e caminho a passadas largas em direção a branda desilusão.

O brilho no olhar revela meu gosto, meu ser e o que até eu duvidei existir.
Brilham intensamente e fazem escorrer lagrimas, de tristeza ou felicidade, do meu rosto.
Ao gole da mais fraca, ou forte bebida, vou revelando o que me engasga. Sinto a situação e pareço recordar dos breves momentos, a fim de sentir tamanha felicidade mais uma vez.
Sinto-me bem e estou confiante. Pareço voltar ao tempo e os bocejos somem envoltos ao mar de flores que recriei.

Já esgoto meus breves pensamentos. Procuro os renovar, mas quando falo em ti me sinto bem somente ao te ver, seja em sonhos, fantasias ou até mesmo no longínquo passado.
Que seja. Nada mais importa. Estou aqui, sem a ti e querendo estar ao teu lado, mas só não me sinto tão mal, ao menos não agora.

O tempo que passara me ensinou a conviver com tamanha desilusão, sem sofrimento, mas com o algo sincero a dizer, a sentir e tentar passar aos poucos que acabam por ler tamanhas asneiras.
O meu desabafo se encerra e digo que estou apaixonado, mais que isso quem sabe, estou envolto em tua graça, em tua beleza e encanto. Não quero me libertar e não anseio pelo fim deste sentimento do qual tenho imenso prazer de relatar.
Matheus.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sobre o mais belo.


É no mínimo curioso. Pareço triste, quem sabe estou triste, mas eu não queria passar tristeza.


Sim, sou confuso. Admito algum caráter típico da tristeza, solidão e até tenho fascínio por tamanha dramaticidade.


A paixão que tanto relato é de fato verdadeira e me alegra por saber que tive, ou ainda tenho sentimentos, mas também incomoda pelo fato de não estar ao lado de quem gosto.


Jamais havia me apaixonado de tal forma. Pensei por diversas vezes que havia encontrado alguém de quem gostava, no entanto, foi por ela, aquela que me causara palpitação que me apaixonei.


Fui sincero demais ao dizer que a amei, que provavelmente ainda a amo e que dificilmente a esquecerei. Sinceridade que me deixara encabulado, frente ao sorriso lindo e por vezes envergonhado.


Falo aos quatro cantos, porém ninguém me escuta. Discuto com fantasmas um conto de fadas que criei. O fim sequer foi selado, mas é difícil ver outro final, da qual a felicidade não passe bem longe.


Mantenho, por orgulho próprio, este sentimento. Sou estranho e repito, perante a humilhação resguardo o resquício de sentimentalismo que me sobrara para futuros contos, fábulas e afins que por vezes invento.

Não condeno ninguém, entendo a situação, mas seria demais pedir a mim que mandasse no meu coração.


O esquartejado, negro, coração é forte e só me resta descobrir por quanto tempo agüentarei retratar, sem me sentir mal, este que descrevo como o mais belo e puro sentimento.

Com alguma tristeza, quem sabe, com muito sono e cansaço, com toda certeza, mas acima de tudo sem um rancor, ao menos imediato.



Matheus.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Sobre o arquivo.


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É tarde. A madrugada consome parte da minha rotina.
Estou sem sono. Estalo meus dedos compulsivamente. Jogo cartas ao computador e escuto músicas, as mesmas de sempre.

Posso observar algumas luzes ligadas nos prédios vizinhos, poucas, mas pareço não ser o único a viver na madrugada.

Vou à janela, tomo um ar e procuro, em vão, movimentos na rua.
Devo ser muito estranho. Fico horas e mais horas a frente do computador. Escrevo, procuro e jogo. Coisas que poderiam ser feitas à tarde, manha ou até mesmo a noite.

A explicação, apesar de simples, remete ao gosto aficionado pela calma, tranqüilidade e mais tantos adjetivos da escura madrugada.

Sinto-me só, sem companhia, livre para relaxar e escrever o que sinto.
Gosto do fato de não me sentir observado. Pareço excluso, invisível e uso a escuridão como escudo, proteção para me manter anônimo.

Demoro a escrever. Tenho dificuldades em remeter, hoje, meus sentimentos a este texto.
Já não sinto a forte palpitação de ontem. Estou a cantarolar, mesmo que baixo, quase sussurrando, a música que conduz meu texto e meus pensamentos neste momento.

Guio-me pela sua batida, nem tanto pela melodia, mas sim por seu ritmo.
Tenho a mania de compartilhar tudo ao amigo Ralf. Tenho imensa saudade de alguns momentos. A madrugada abre meu coração, revela meus sentimentos e os faz vir à tona.

É como se um filme passasse por minha cabeça, vejo tudo, todos bons momentos estão bem guardados nesta parte do meu coração, da qual chamo: Arquivo morto.
Ele é aberto toda santa noite, é revisto e parece estar sempre buscando algo perdido, que ainda não fora relembrado.

O tal arquivo na maioria das vezes tem sucesso Ralf, e por mais que ele se abra, na maioria das vezes sem minha permissão, não passa de um arquivo morto, tal qual sua denominação.
Parece, ou pareço gostar de tal nostalgia. Ando pelo passado, de mãos dadas a decepção, caminho pelos antigos momentos.

Por incrível que pareça eu desejo o bem. Não dei fim ao fim. Ainda tenho esperanças, sim eu sou um idiota, e por mais que pareça não ter volta, pareço crer em um final feliz.

Que estranho eu sou. Sinto isto ao demonstrar o que sinto. Não sou capaz de falar coisas belas e ofensas são consideradas por mim como breves elogios, guardadas as devidas proporções é claro.

É hora de encerrar. Sinto-o vivo e palpitando sem parar. Estou angustiado e somente diria que te amo.
Te amo, nada mais seria mais plausível, no entanto, não seria suficiente para demonstrar o carinho que sinto.

Encerro por aqui Ralf, antes que comece a me embebedar e fazer as cafonas declarações de amor que sempre faço e que acabei fazer, tal estas ultimas linhas.


Matheus.


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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sobre a escrita sonolenta.



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Admito, estou entregue ao sono. Hoje não serei capaz de retratar nada, nem aquilo que é mais simples e puro dentro de mim.
Não tenho condições. Meus olhos estão lacrimejando, quase se fecham e já enxergo tudo duplicado.
O bocejo já domina minhas ações e cambaleio pelos cantos a fim de encontrar minha cama.
Minha pequena soneca ao sofá demonstrara meu cansaço. Normalmente não largo um filme em sua metade, por pior que seja, mas desta vez o fiz.
Escrevo contando os minutos para deitar em meu travesseiro, apoiar minha cabeça e ser conduzido ao imaginário mundo dos sonhos.
Ralf, eu quero sonhar. Quero ter a antiga esperança novamente.
O sono pesado possivelmente dificultará o meu antigo sonho. Vou em busca de minha coberta, a coberta aconchegante da qual já não durmo sem, e já imagino meu travesseiro abreviando meu momento de descanso.
Sonharei acordado, ou não, contigo. Levarei-te ao perfeito mundo que criei e do qual alimento até hoje. Adentrarei a esta fábula que conto a todos, quem sabe para explicar tamanha paixão, ou para não me convencer que o fim já se dera e que vivo em uma realidade alternativa.
Matheus.