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terça-feira, 30 de março de 2010

Sobre Tony - 4


Seus olhos se abriram vagarosamente. Tudo ainda girava e parecia em constante movimento. Sua cabeça agonizava em uma dor suprema, talvez de outro mundo, ou outra bebida.

Ainda sem muito equilíbrio ele se levantara. Seus olhos escancaravam a face de sua última noite. As olheiras eram mais que visíveis, tornavam-se características deste rosto mais que marcado.

Seus cabelos mais que escabelados, oleosos e com um forte odor de fumaça. Seu corpo pedia clemência, pedia descanso e exalava o mais puro cheiro da bebida dos últimos dias.

Acordara completamente nu, entre lençóis brancos completamente imundos na mais pura perversão que se pode imaginar. No chão e em cima da cômoda ainda eram avistadas garrafas e preservativos.

Ao seu lado, ainda na cama, dormira uma bela jovem, da qual Tony não se recordava e que também não fazia questão de tal.

Seus martírios cotidianos ainda o impediam de se relacionar mais a fundo com quem quer que seja.

Já passava do meio do dia e ele estava faminto. Não comia há dias e não saia à luz do sol a semanas, sequer sabia que dia era.

Vestira-se com seu jeans mais gasto, com sua camisa preta casual e os óculos que lhe protegia dos fortes raios de sol, ou que somente servia para esconder sua face mal dormida.

Deixara tudo para trás, mais uma vez, mais uma mulher e com o andar vagaroso foi em busca de seu almoço, talvez seja um recomeço, ou apenas uma parada obrigatória.



Matheus.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre Tony - 3


Sua idade não condizia com sua aparência. Não passava dos 31, mas seu rosto era marcado pela barba mal feita, pelas cicatrizes e marcas da vida. Seus olhos pareciam aflitos e em constante luta interna.

Tudo era complicado para Tony. Sua vida parara em certo ponto, por certa pessoa.

Já se passavam meses desde sua última visita, mas nada mudara, não para Tony.

Seu coração ainda se acelerava ao vê-la, ao sentir seu cheiro e tocar-lhe seu corpo, mesmo que em um abraço amigável.

Ele ainda a sentia presente, dentro de si e aquecendo seu coração de gelo.

Ela, do nome já esquecido, fora a única a fazê-lo derramar lágrimas, sejam de amor, ou da mais pura dor.

Sentado em seu sofá, Tony, ainda olha a velha aliança que guardara na antiga cômoda.

Ele não dormira, não hoje e talvez nunca. Passavam-se 7 anos, neste mesmo dia, e Tony jamais esqueceria do dia mais feliz de sua vida, seu casamento.

Toda noite, antes de dormir, ele pensa no que errou e em como poderia consertar tais erros.
Quem sabe um dia ele conseguirá mudar seu próprio destino.


Matheus.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sobre Tony - 2


Já era noite quando ele chegara. Seu perfume cítrico espalhava-se pela ante-sala e anunciava sua entrada.

Seus passos cavalares pareciam fugir de algo, ao encontro do infinito talvez.

Andava cabisbaixo, sem perspectivas ou ideais neste vago momento.

Todos o olhavam, conheciam sua face, seus temores e anseios.

Sentara a sua mesa, sempre a mesma, reservada para ele. Com os olhos encharcados ele balbuciava palavras em um tom baixo, quase inaudível.

Seus punhos cerrados iam de encontro à madeira, estremeciam a mesa, quase como gritos de uma alma em chamas.

Sua respiração calma destoava de seu comportamento agressivo, por vezes grosseiro e desesperado.

Suas pernas balançavam em uma agitação fora do comum. Tragava seu charuto de uma forma rápida, inconstante e nunca desacompanhado de sua garrafa de whisky.

Seus gestos pareciam demonstrar algo, talvez à decepção, ou o desprezo que tanto o assombrava.

Seus gemidos foram silenciados pelo tempo, pelo passar do relógio, ou dos goles que o fizeram cair, em um sono profundo, na solidão corriqueira.


Matheus.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobre Tony - 1


Seu olhar destoava dos demais, era forte e por vezes arrogante. Mesmo sob a forte chuva que caia, seu jeito imponente denunciava seu modo de ser e de agir.

Cabelos longos e a barba mal feita, típica de um bom boêmio cheio de si.

Andava sob os ladrilhos com uma confiança exacerbada e de certa forma irritante para com os outros.

Seu caminhar desajeitado, por vezes descompassado mostrara sua verdadeira falta de compromissos.

Andava sozinho, seja pelas mesas de bares, ou pelas ruas da cidade. Seu copo de whisky parecia seu fiel e talvez único companheiro. Gozava da arrogância predominante em qualquer gênio. Era viciado em jogos, álcool e mulheres, mas nada que atrapalhasse sua brilhante mente, ou seus mirabolantes pensamentos.

Era um escritor da noite, não mais um menino que escrevia suas decepções. Suas lamurias agora eram desabafadas entre um copo e um tragar do charuto que tanto gostava.

A noite era sua terapia, sua grande paixão e aquela que por tantos e tantos dias o escutara.

Parado, ainda na chuva, ele observava, mesmo que encharcado, a vastidão de mais uma noite de verão.


Seu nome é Tony e ele apenas começou.