sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobre Tony - 1


Seu olhar destoava dos demais, era forte e por vezes arrogante. Mesmo sob a forte chuva que caia, seu jeito imponente denunciava seu modo de ser e de agir.

Cabelos longos e a barba mal feita, típica de um bom boêmio cheio de si.

Andava sob os ladrilhos com uma confiança exacerbada e de certa forma irritante para com os outros.

Seu caminhar desajeitado, por vezes descompassado mostrara sua verdadeira falta de compromissos.

Andava sozinho, seja pelas mesas de bares, ou pelas ruas da cidade. Seu copo de whisky parecia seu fiel e talvez único companheiro. Gozava da arrogância predominante em qualquer gênio. Era viciado em jogos, álcool e mulheres, mas nada que atrapalhasse sua brilhante mente, ou seus mirabolantes pensamentos.

Era um escritor da noite, não mais um menino que escrevia suas decepções. Suas lamurias agora eram desabafadas entre um copo e um tragar do charuto que tanto gostava.

A noite era sua terapia, sua grande paixão e aquela que por tantos e tantos dias o escutara.

Parado, ainda na chuva, ele observava, mesmo que encharcado, a vastidão de mais uma noite de verão.


Seu nome é Tony e ele apenas começou.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sobre minha analise de verão.


O calor parece me consumir em um braseiro sem fim. Bocejo e meus olhos teimam em se fechar.

Enrolo meus cabelos na busca das respostas, ou talvez das perguntas certas a serem feitas.

Sinto-me bem, diferentemente das últimas vezes que escrevi. Meu ego acostumou-se a tal estigma, tal semblante e posso dizer que isso é bom.

É verdade, a saudade me bate por vezes, para não dizer sempre, mas tenho de avisar que isso já não me machuca mais.

Meus receios parecem ter se esvaecido em um gole de bebida, alcoólica de preferência.

Ainda de bom tom posso afirmar que estou de bem comigo mesmo e que na maioria das vezes sou quem sempre quis ser.

Meus pensamentos insanos e, às vezes, divertidos me fazem rir de mim mesmo, ou da desgraça alheia.

Não me importo com o que falam, ou pensam de mim e isso me faz um bem sem tamanho. Gozo da liberdade, do poder de ser quem mais gosto e não dar à mínima aos outros.

Prezo minha arrogância e tamanha falta de sutileza para ter perto de mim somente quem eu gosto e mais ninguém, sem exceções.


Um abraço grande Ralf, é sempre um prazer conversar contigo.

Matheus.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Sobre a nova década.


Já é janeiro e cá estou, ainda, sob a influência de minha escrita para dormir em paz.

Meus medos, hoje, parecem esvaecer em uma década nova, em um ano esperançoso, ao menos quero acreditar nisto que vos escrevo.

Ando diferente, talvez o início de um novo ano tenha influenciado em minhas decisões, ou pensamentos.

Minhas batidas constantes parecem ter dado trégua e hoje meu coração já não chora mais, como um dia já chorara. Meus sentimentos se confundem a cada volta do relógio, a cada gole da minha bebida. Sinto-me diferente, talvez abstraído da culpa que por tanto tempo me cercara.

Meu sorriso ameaça se abrir e de forma simpática vejo novos rumos, com estes pequenos olhos que tendem a se fechar.

Gosto de pensar no recomeço, em tudo que um dia planejei e que ainda pretendo cumprir.
Sob a luz da lua, que ainda ilumina minha madrugada, eu, vou conduzindo meu novo início, minha nova chance de recomeçar.

Ainda tenho esperanças de reaver tudo que um dia tive e que com ela eu possa passar mais muito tempo nesta nova década tão esperada.

Despeço-me grande Ralf, que tu tenhas um grande ano, tal qual espero para mim.


Matheus.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sobre um inferno.


Estou recluso, cá em meu canto, meu esconderijo mais que perfeito.

Ainda sob a dor, eu, caminho, vago entre meus delírios rotineiros e meus lapsos de sensatez.

O calor me sobe, estranho e descomunal. Meu peito se abre e meu vazio parece exposto, tão desguarnecido e fraco. Meus medos parecem sair, procuram me amedrontar perante a esse inferno que vivo.

Tento suportar, mas torna-se cada vez mais difícil conviver com tal erro, com tal culpa.

Meus olhos se fecham na busca por uma solução, algo que possa saciar esse vazio deixado. Ainda que pequenos, meus olhos, fitam o horizonte, belo e em completo silêncio, nesta madrugada quente.

Meu peito palpita de forma descontrolada, agonizante a ansiosa. Meu corpo inteiro sua gelado e se mostra apreensivo. Minhas lágrimas secaram, não mereço tal clemência, tamanha fora minha crueldade.

Despeço-me da dor com um salto, ao infinito, as nuvens para sonhar e tentar apagar essa chama que ainda me consome.

Para que de onde esteja, seja um anjo, de chifres e rabo, eu possa cuidar de ti e lhe manter longe de qualquer um que um dia venha a lhe fazer mal, como um dia eu fiz.


Matheus.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Sobre a minha maior dor.


Eu te amo. Talvez isso bastasse para representar o que tu és para mim, o quão importante é tua presença, mas não, isso não basta.

Eu ainda te amo e como sempre te amei. No silêncio dos últimos meses me mantive e a sombra dessa paixão, deste amor, se mantinha branda e triste, porém escondida em cada sussurro, ou lágrima derramada.

Meu peito dói, dói de uma forma antes jamais sentida e que me assusta. Eu sinto que perdi, entre meus erros, muitos deles, eu te perdi, talvez para sempre. Meu vazio parece me consumir em uma dor insana, sem previsão de fim.

Eu errei, sei que errei. Meu arrependimento parece me enlouquecer, mostrar que meus defeitos superam minhas qualidades em tal ponto.

A dor parece não passar, não sinto alivio ao escrever. Meu amor persiste em lutar, crer, mas sem forças não sei se agüentarei ficar afastado, com a culpa de ter acabado tudo, de ser o destruidor do meu mais belo e puro sentimento.


Com condolências, Matheus.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sobre essa coisa estranha.


Não posso mentir. Meu peito me desmente, mais uma vez. Ainda sei como é sentir aquilo tudo que tanto descrevi.

Minha palpitação rápida e diferente começa a ser sentida mais uma vez. Meus olhos estão cheios de lágrimas, lágrimas que mostram o que isso tudo me causa e o que eu ainda sinto.

Dentre meus pensamentos, tu, és dona de tudo que me passa e de tudo que um dia já pensei.

Tento fingir, esconder, mas nada consegue dissipar o que isso ainda importa para mim e o quão importante és para a minha pessoa.

Despeço-me em tom melancólico e sabendo que talvez isso não tenha importância alguma para ti.



Matheus.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sobre um longo tempo.


Intenso calor que parece não passar. Meus olhos teimam em continuar abertos, dispersos no marasmo sem fim desta noite mais do que quente.

Estou sumido, talvez revigorado e não mais propenso a longas conversas com minha antiga terapia.

Tudo mudara e nada é como um dia foi esperado. Meus medos se foram, minha confiança voltara e mais uma vez posso dizer que estou bem.

Um sorriso me encanta, talvez este seja um começo, mas isso só o tempo dirá.

Minha cabeça parece se confundir em datas, já não me recordo de muitas coisas, mas isto eu devo aos goles exagerados de vodka, ou absinto.

Entre um copo e outro tudo corre bem e não tenho nada a reclamar, a não ser da falta de prática para escrever, este pequeno texto já está me enojando.


Despeço-me, sem uma data prévia para voltar.


Matheus.