quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sobre um bocejo.


O tempo passou e eu também acabei me passando. Me escondi, me procurei dentro de minha branda confusão e ainda não me encontrei, não por completo.

Procuro meu rumo, mas sem um destino ainda traçado, ou um plano sequer orquestrado. Fujo, sem compromisso, sem bagagem e deixando tudo para trás, tudo que não me é saudável.

Dou asas ao imponderável, crio minha própria beleza, meus caminhos e tento segui-los.

Ainda de longe eu continuo o mesmo, talvez seja força do hábito.

Deito e rolo de um lado para outro na cama, mas não consigo dormir. Penso, volto ao passado, vou ao futuro e caio sempre no mesmo dilema, em minhas mesmas dúvidas.

Bocejo, enrolo meus cabelos e no alto de meu sono acabo adormecendo, para sonhar, esquecer o hoje e descobrir que amanha tudo recomeça de onde parei.


Matheus.

terça-feira, 1 de março de 2011

Sobre um pouco mais de mim.


Hoje eu me sinto pesado, talvez querendo falar algumas coisas que estão engasgadas em minha garganta.

Sinto-me com raiva, uma raiva sem um alguém, ou algo para se culpar, mas mesmo assim intensa. Tenho vontade de mastigar, destroçar algo com meus caninos, talvez um pedaço de carne seja uma boa pedida.

Eu não sei, e talvez eu só esteja entediado na madrugada, querendo tirar de mim tudo que não me é agradável.

Estou bem e para ser bem sincero esta é uma das sensações que mais gosto de sentir. Gosto de explodir, de ser impulsivo e fazer coisas das quais provavelmente não faria, caso pensasse mais uma vez.

Hoje estou de bom humor, sarcástico e agressivo, o meu favorito, diga-se de passagem. Eu sou arrogante, faço de minhas palavras as melhores e tento prega-las a todos que estão em minha volta.

Não, eu não sou uma pessoa legal, muito menos normal. Meus olhos são pequenos, porém atentos, procuram por cada defeito, mínimo que seja.

Eu gosto de ganhar, não importa como, a famosa frase de que os fins justificam os meios.

Sim, eu estou bem, sem culpa, sem fardo e sem amor. Abandonei a esperança e estou por minha conta.


Matheus.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre mais um fim.


O vento adentra meu quarto, me refresca e por alguns instantes não sinto o incessante calor. Fato raro nesse verão.

Bebo minha água, nada de álcool por hoje, certamente outro fato raro nesses dias que se passam.

Digito vagarosamente, ainda tentando encontrar as palavras exatas para definir o que sinto e o que sou.

Meus pensamentos se perdem em cada lembrança, cada momento e nas coisas que já fiz, sejam elas boas, ou ruins.

Eu acho que hoje é o fim, diferente do conto que criei, das coisas que imaginei e por tantas vezes torci que acontecessem.

Não sei mais o que pensar, mas me sinto tão confuso, perdido dentro da minha falta de sentimentos no momento. Não entendo o que acontecera e onde fora parar todo meu amor.

De frente ao espelho eu vejo que nada mudou em mim, estou igual.

Estou bem, completo como sempre sonhei. Meu vazio se fora, só talvez o amor tenha me deixado.


Matheus.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Sobre a angustia.


Eu olho e tudo parece igual. Olho de novo, mas nada parece mudar. Os ponteiros estão parados, presos no tédio, na solidão.

Algo me faz diferente hoje. Meus olhos, já pequenos, se estreitam, parecem prever algo.

Meu peito mistura a angustia com uma dose não muito saudável de palpitações fora do ritmo.

Estou rangendo meus dentes, talvez em uma raiva sem precedentes, ou em uma ânsia do que parece inevitável, ou talvez já consumado.

O calor me consome, mas desta vez ele é estranho. Chamas incandescentes que queimam de dentro para fora, tentando levar tudo de mim, tudo que me faz me sentir daqui, humano talvez.

Minha respiração se assanha, parece afoita, diferente dos últimos dias, últimos tempos. Castigo meus cabelos, a cada enrolar dos dedos que parecem não se cansarem de tal tarefa tão repetitiva.

Engulo seco, algo me está errado, resta descobrir se ainda tem conserto.


Matheus.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sobre uma luz.


Vejo uma luz, longe, ainda fraca, mas querendo aparecer. Sinto algo diferente, algo iluminando minha escuridão e preenchendo meu vazio.

Minha cabeça não para. Dezenas, centenas e milhares de pensamentos que me passam, voam e se dispersam em frações de segundos.

Meu coração parece ter renascido e, de volta, começa a bater interruptamente pelo que todos já conhecem.

Teu cheiro está eternizado junto de mim, assim como teus lindos olhos e sorriso.
Com uma dose de saudade bem aguçada eu te vejo, seja em meus delírios diários, ou em meus sonhos.

Sinto-te, te beijo, te abraço em cada gesto, antes de dormir, ou ao pensar que tu és minha e, sinceramente, sempre vai ser.

Ao meu leito tomo destino, procurando mais uma vez os sonhos que por vezes eu gostaria que fosse realidade.


Com carinho,

Matheus.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sobre um novo vazio.


Minha casa está abandonada, jogada as moscas. Meu lar, recanto de meu antigo lamurio está assim por culpa minha, de meu esquecimento, da minha falta de criatividade e ausência suprema de sentimentos.

Sinto-me de novo assim, só em meu estado de ser. Vazio de uma forma já sentida, já relatada e que por vezes me apetece.

Não tenho sensações e sinto ter esquecido meu coração em outro lugar, desconhecido até então.

Meu peito não pulsa mais, parece cheio de si, um pouco eloqüente, mas sem emoção, sem a vida que tantas vezes o caracterizou.

Meu semblante é calmo, alheio ao que acontece, alheio a vida, ou a falta dela que pondera em meu vazio, por vezes sombrio.

O sangue parece congelar em minhas veias, antes tão incandescentes. Meus olhos não fitam mais o além, ou infinito. Sinto desprezo por meus pequenos olhos, olhar de indiferença, da mais pura falta do saber, do sentir.

Estou vazio, isso deve bastar de descrição.



Matheus.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sobre sussurrar.


Eu escrevo, na madrugada, como sempre. Eu penso, mais uma vez, em nós dois. Eu fico, de novo, só em meu leito.

Ainda por estas mesmas linhas me remeto ao saudosismo, relembro cada palavra, gesto, ou atitude para abrir um sorriso, ainda tímido que seja.

Sussurro por minha alma as palavras que tanto tentei lhe falar, mas que por vergonha, ou ocasião não foram ditas. Abro meu coração para te mostrar que não sou mais um, sou teu, aquele que te ama e não consegue mensurar isto.

Minhas lágrimas secaram, já não escorrem mais. Meus olhos se fecham e começo a fantasiar o sonho, nosso futuro já escrito.

Minhas mãos estão livres, sem nada a prendê-las. Meu coração bate, invariavelmente por ti, só por ti.

Dona de todos meus sentimentos e suas variações. Minha frieza se esvaece em mais uma dose do meu sentimentalismo dedicado a tua pessoa.

Com amor,


Matheus.