segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sobre meu ódio.


Eu odeio, e como odeio isso. Tenho pavor, receio e vergonha. Tenho ódio, muito ódio em te querer, te amar desta forma.

Odeio-me por me sentir assim, mesmo sabendo que tudo tende ao contrário.

Eu sinto saudades. Perco horas de sono, talvez pensando em como te falar tudo isso, ou quem sabe tentando esquecer que tu existes. É em ti que eu penso antes de dormir, ou ao lembrar de coisas boas.

É por ti que já lutei, perdi e mesmo assim continuo sonhando.

Eu corro, entre corredores, de minha própria cabeça tentando esquecer. Sei, sempre soube que eu não havia esquecido. Meu coração não carece mais de sentimentos, é nutrido por algo que me atormenta, porém sem mais a tristeza de meses, ou anos atrás.

Sinto-me morto, na busca constante de alguém que sequer se importa. Sinto-me envergonhado, sujo em minha maneira de existir.

Meu amor é brutal, escuro, meio egoísta e intransigente. Não é normal, nem para mim, talvez para ninguém.

Nada parece certo, e já me perco em minhas alucinações.

Fujo, sem destino, até uma próxima quem sabe.



Matheus.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sobre a cabeça.


Voltei ao meu lugar. Sentado em meu trono, sublime e sereno. Meus cabelos voltam a ser castigados e meus olhos ainda se perdem no escuro da noite.

Voltei ao meu lar, à casa de minhas palavras, nem sempre belas, muitas vezes ásperas.

Redescobri meus pensamentos, minhas razões e sentidos. Meus trêmulos e gelados dedos ainda digitam com dificuldade tudo que se passa pela minha confusa, perturbada e já preguiçosa mente.

Meus bocejos quebram o silêncio que pondera e meus olhos piscam como nunca. Voltei, mas ainda não sei como explicar.

Minha cabeça dói, explode em lembranças, pensamentos e o que mais lhe for cabível de imaginar.

Vou dormir, em direção a minha cama, silenciar e desligar tudo o que me move, ao menos por agora.


Matheus.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sobre a raiva.


Meus punhos estão cerrados. Meu semblante se fecha.

A raiva me domina. Meu sangue ferve, pulsa por minhas veias incandescentes. Meu nariz ainda expira o ar de forma nervosa, descompassada.

Meu peito se acelera, mostra vida em sua derradeira aparição. De meus pensamentos vejo só a fúria que carrego e que não penso em perder.

Sinto me vivo e, mais que isso, sangue pulsante, não mais ameno.

Sinto as batidas me acordarem, me chamando mais uma vez. Desperto enfim, talvez essa seja a hora.


Matheus.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sobre Tony - 4


Seus olhos se abriram vagarosamente. Tudo ainda girava e parecia em constante movimento. Sua cabeça agonizava em uma dor suprema, talvez de outro mundo, ou outra bebida.

Ainda sem muito equilíbrio ele se levantara. Seus olhos escancaravam a face de sua última noite. As olheiras eram mais que visíveis, tornavam-se características deste rosto mais que marcado.

Seus cabelos mais que escabelados, oleosos e com um forte odor de fumaça. Seu corpo pedia clemência, pedia descanso e exalava o mais puro cheiro da bebida dos últimos dias.

Acordara completamente nu, entre lençóis brancos completamente imundos na mais pura perversão que se pode imaginar. No chão e em cima da cômoda ainda eram avistadas garrafas e preservativos.

Ao seu lado, ainda na cama, dormira uma bela jovem, da qual Tony não se recordava e que também não fazia questão de tal.

Seus martírios cotidianos ainda o impediam de se relacionar mais a fundo com quem quer que seja.

Já passava do meio do dia e ele estava faminto. Não comia há dias e não saia à luz do sol a semanas, sequer sabia que dia era.

Vestira-se com seu jeans mais gasto, com sua camisa preta casual e os óculos que lhe protegia dos fortes raios de sol, ou que somente servia para esconder sua face mal dormida.

Deixara tudo para trás, mais uma vez, mais uma mulher e com o andar vagaroso foi em busca de seu almoço, talvez seja um recomeço, ou apenas uma parada obrigatória.



Matheus.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sobre alguns versos.



Eu sou assim
Seja sol, ou luar
como as flores do jardim
Para jamais mudar

Eu sou assim
como folhas ao ar
voando enfim
para o seu lugar

Eu sou assim
Fogo, ou mar
Do inicio ao fim
para sempre te amar






Matheus.

terça-feira, 16 de março de 2010

Sobre um eu.


Estou aqui meio pensativo. Quem sabe este sou eu. Sou o Matheus das entrelinhas e frases soltas. Talvez este sempre fora eu, mesmo que distante de minhas características, ou até pensamentos.

Sim, fui sempre eu. Meu primeiro personagem, meu ultimo amigo, ou meu pior inimigo. Das inconstâncias assustadoras ao que chamo de amor supremo, não, definitivamente este não parece comigo.

Por ora aquele da piada fácil e grosseira, amigo constante de meu senso de humor, sim, este parece mais comigo.

Ainda por trás da máscara que cobre tudo que um dia falei, visto outra e reverto o que criei.

Recrio todo o clima que um dia não fora favorável e reinvento minhas próprias batidas.

Como um dia fui eu, sim é verdade. Dos sentimentos exaustivos e a flor da pele, do extremista arrogante e das falácias irreais. Da falsa síntese de minha própria personalidade.

Talvez das emoções inventadas, das falsas e belas declarações, ou do sonho e perfeição que jamais sairão da minha mente.

Meu corpo pede passagem perante o calor, minha mente diz que é hora do novo e mediante a este sorriso, sim este sempre fora meu, tudo é recriado, sem fim e sem meio, talvez até sem um começo para este eu que sempre esteve aqui.



Matheus.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sobre ser assim.


Eu sonhei, confesso que fui iludido por minha própria cabeça. Acreditei no que sempre condenei. Pareço livre, mas não gosto de diagnósticos precipitados.

Conheço-me como poucos e sei de minha constante inconstância, por mais que isso pareça contraditório.

Estou enclausurado em minha própria prisão, longe de tudo que um dia me fizera sofrer. Cá em meu canto, eu, procuro minha identidade, já não mais bem definida por tantas idas e vindas de algo que me domina.

Meu jeito espontâneo parece prevalecer, mas realmente não sei até quando isso pode durar. Eu sou assim, sempre fui. Sou grosso, sou rude e isso jamais vai mudar.

Adoro minha confiança exacerbada e minha arrogância, elas, fazem parte de mim, de quem me tornei e de quem tanto gosto de ser.

Meu coração parece estar guardado, longe daqui e mantido a sete chaves.

Ele dorme em um silêncio absoluto, talvez a espera dela para acordar, ou em um sono definitivo, para que o sempre seja respeitado.

Os ruídos tentam lhe despertar, tirar-lhe da paz em que, eu, hoje vivo.

Fecho meus olhos e por instantes tento retomar o que um dia criei, falei e escrevi.

Suspiro em uma ânsia de encontrar o que fora capaz de me mudar, me transformar nesta inconstância de sentimentos, ou da falta deles.

Ainda em transe minhas mãos formigam e pedem clemência para meu espírito e minha alma.

Desperto e, com sono, lembro que eu sou assim, sempre voltando ao inicio, ao mesmo Matheus do começo.




Matheus.