terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sobre um longo tempo.


Intenso calor que parece não passar. Meus olhos teimam em continuar abertos, dispersos no marasmo sem fim desta noite mais do que quente.

Estou sumido, talvez revigorado e não mais propenso a longas conversas com minha antiga terapia.

Tudo mudara e nada é como um dia foi esperado. Meus medos se foram, minha confiança voltara e mais uma vez posso dizer que estou bem.

Um sorriso me encanta, talvez este seja um começo, mas isso só o tempo dirá.

Minha cabeça parece se confundir em datas, já não me recordo de muitas coisas, mas isto eu devo aos goles exagerados de vodka, ou absinto.

Entre um copo e outro tudo corre bem e não tenho nada a reclamar, a não ser da falta de prática para escrever, este pequeno texto já está me enojando.


Despeço-me, sem uma data prévia para voltar.


Matheus.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sobre uma a volta dos que não foram.


Acho que já não tenho a mesma prática de antes, mas tentarei, serei breve em minhas palavras.

Meu mundo parece diferente, pareço vagar por nuvens, talvez um sonho, em que o marasmo se fora e levara consigo todo o tédio e o que um dia já não me foi benéfico.

Sinto-me renovado, a cada palavra não me alivio mais, porém, encho-me de alegria e talvez consiga projetar a felicidade por entre nossos abraços.

É verdade, estou sumido, nada me causa mais pavor, não sinto meus antigos receios, ou medos que por tanto tempo me cercaram. Sinto meu olhar diferente, ao horizonte, sem a pressão que um dia me fora tão casual, ou o medo de me afundar em algo do qual não seria capaz de sair.

Eu te peço que acredite em mim, pois meus dedos pedem clamor, querem lhe escrever, mesmo que seja em um pedaço amassado e com uma caligrafia ridícula.

Meu sorriso é sincero, meu abraço quer lhe confortar, te deixar segura e mostrar que tudo é verdade.

Por mais miseras linhas vou caminhando, junto de um copo, ao bocejar da madrugada e no brilho do meu olhar, eu, quero que saibas que isso vai dar certo.


Matheus.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Sobre um sacrificio.


Por tanto tempo fui capaz de me conter, mas hoje isso parece não funcionar. Muito tempo se passara e posso dizer que estou melhor, de uma forma como sempre sonhei estar, no entanto, meu humor parece variar de forma inusitada.

Meus pensamentos vagam em um marasmo sem fim, coordenados por minhas batidas estranhas, por vezes agonizantes.

Tento respirar fundo, mas nada parece dissipar tamanha agonia, tamanho conflito interno, uma sensação de dor, da ânsia de um choro.

Tudo parece rondar sobre ela, sobre o que sinto por ela e como lido com tal.

Sinto-me longe, distante de tudo que um dia fora tão belo, de toda fantasia que um dia criei e que por algum tempo tentei manter.

Minha dor parece afetar meu humor e minha capacidade de pensar. Minha imensa saudade consome tudo que um dia disse e todo aquele amor, aquela paixão vigorosa que sinto.

Tua felicidade me conforta, jamais gostaria de vê-la triste. Sinto dizer que por entre um choro escondido, destes olhos mais que vermelhos, eu, despeço-me de ti, afasto-me por um bem maior, para que tua felicidade possa ser plena sem a minha figura incomodativa.


Matheus.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sobre o meu vazio.


Tanto tempo se fora, mas ainda posso recordar, talvez jamais eis de esquecer. O vazio deixado nunca foi preenchido e, sinceramente, acho difícil que seja.

Por minha nostalgia caminho, vagarosamente, ao encontro da minha melhor lembrança, do meu mais marcante momento.

Ela se fora, mas tal marca, tal vazio ainda são sentidos em mim, por mim.

Relembro com um sorriso fácil o que vivi, o quão pude ser feliz, me surpreender comigo e com o que senti.

Meus pensamentos me levam a ela, consigo visualizar suas bochechas rosadas e sentir aquele perfume suave que ficou impregnado, junto de meu desejo.

Sinto meu peito palpitar de forma louca, meu coração se assanha, só de pensar nela, naquela que tanto amei, naquela que eternizei.

Meu amor não fora esquecido e as lágrimas, não mais de tristeza, tentam sair de meus olhos. Por teus dedos pude brincar, sentir cada pedaço teu em um abraço, sincero, carinhoso e meigo.

Ainda gosto de lembrar do amor para sempre que tanto lhe falei e que perdura até hoje.

Faltam-me palavras, me sinto bobo, perdido e envergonhado, mesmo que longe, mesmo que esquecido por ti.

Hesito em escrever, não sei como mais o fazer, como tentar demonstrar o que um simples sorriso revela.

Tu, que sequer me conhece, ainda me causas intenso calafrio e uma sensação indescritível de paz.

Estranho me descobrir por ti, saber que mudei e que por ti faria tudo de novo, sem titubear, mesmo sabendo que o final seria este.

Matheus.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sobre o divã.


Meus olhos querem se fechar, teimo em deixá-los abertos.

Ainda que sonolento, eu, tento escrever, talvez sem um causo, uma história, mas tentando me decifrar.

Por entre meus pensamentos alço vôo, incrível imaginação. Passeio por minhas alegrias, por meus mais belos dias e conquistas. Consigo enxergar meus anseios, não mais tão assustadores, agora tratados de frente, meus antigos receios e passadas tormentas.

Sinto-me bem, diferente, meio alheio a fatos, aos meus sentimentos.

Não sei o que sinto mais, é estranho conviver com uma dúvida, não saber, ou simplesmente se sentir vazio, mas confesso que gosto, ao menos por agora.

Em brandas linhas tento dizer, talvez desabafar, soltar o grito que sequer sei se existe. Leio e releio, faço minha auto-análise perante o que escrevo ao passar do dia, sou meu próprio psicólogo, por mais bizarro que isso possa parecer.

Faço meus próprios testes, minhas teorias e sinto-me louco, um tanto quanto tosco, mas consigo sorrir, aquele sorriso de canto de boca, meio irônico, sentindo-me mais esperto que os demais.

Finalizo mais uma sessão noturna. Até breve.


Matheus.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Sobre Meados de 30 - Capítulo XII


Já passava das duas quando a jovem moça adentrara sua casa. Seus olhos lacrimejavam sem parar, suas mãos trêmulas demonstravam seu estado de choque, toda sua comoção.

Sua cabeça latejava em uma dor insistente, um clamor, uma culpa irreversível.

Cabisbaixa, sequer cumprimentou seus familiares, que atônitos esperavam por sua chegada, depois do sumiço da última noite, de sua apresentação perante a sociedade.

Julita devia explicações, não só para sua família, mas para consigo própria.

Ela carregava em suas mãos os sapatos, aqueles saltos que a consagraram, agora eram levados como sacolas, no mais completo cenário de tristeza. Seu cabelo despenteado e sua maquiagem toda borrada. Suas bochechas, tão sardentas, agora beiravam o encarnado do nervosismo, do choro compulsivo.

Passara reto por todos, evitando perguntas, evitando o que seria mais constrangedor, que pudesse relembrar tudo que tivera vivido e como tinha se libertado de tal forma, com tal cafajeste.

Em seu quarto deitara-se sob a cama, sob os lençóis limpos e arrumados, diferentemente de como acordara nesta manhã.

Por outro lado, Isabell acorda por entre lençóis de seda. Mesmo entre lençóis, anda pelo admirável quarto, a busca de uma janela, espera apreciar sua glória, sua conquista por mais quanto tempo for possível.

Suas roupas ao chão, seu perfume ligado à pele, tão doce, tão excitante, tão supremo e ao mesmo tempo marcante.

Por breves momentos, a janela, Isabell aprecia mais um gole de seu champanha na companhia do tragar de um cigarro. Nua, coberta somente por jóias, ela desfruta sua soberania, nada pode tirar o brilho dela, não desta mulher em erupção.


Matheus

domingo, 6 de setembro de 2009

Sobre o mesmo papo tosco.


Já passa das cinco e meus olhos não querem se fechar. Sinto um desejo imensurável de escrever, quase como um vício eu diria.

Não sinto muitas mudanças nos últimos dias, talvez minha inconstância tenha me abandonado.

Sem meus males, sem meus medos, fico cá, sem palavras, sem alguma história para contar.

Devo estar vazio, dominado pela falta de sensações. As coisas já não mexem comigo, não como antes. Talvez minha vida antiga esteja retornando, pode ser um bom presságio.

Meus dedos não tremem mais, não de nervosismo, ou de ansioso.

É estranho sorris sem parecer falso, sem uma máscara, ou ter que esconder as frustrações.

Já não tenho tanto receio, sem mais temores, sem mais dores constantes.

Começo a bocejar e realmente adoro a escrita, ela me proporciona até o sono.

Entre sarcasmos e ironias vou me conduzindo de volta aos trilhos, aqueles que, eu, venho buscando há tempos.

Até breve, sem mais delongas.


Matheus.