quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sobre uma luz.


Vejo uma luz, longe, ainda fraca, mas querendo aparecer. Sinto algo diferente, algo iluminando minha escuridão e preenchendo meu vazio.

Minha cabeça não para. Dezenas, centenas e milhares de pensamentos que me passam, voam e se dispersam em frações de segundos.

Meu coração parece ter renascido e, de volta, começa a bater interruptamente pelo que todos já conhecem.

Teu cheiro está eternizado junto de mim, assim como teus lindos olhos e sorriso.
Com uma dose de saudade bem aguçada eu te vejo, seja em meus delírios diários, ou em meus sonhos.

Sinto-te, te beijo, te abraço em cada gesto, antes de dormir, ou ao pensar que tu és minha e, sinceramente, sempre vai ser.

Ao meu leito tomo destino, procurando mais uma vez os sonhos que por vezes eu gostaria que fosse realidade.


Com carinho,

Matheus.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sobre um novo vazio.


Minha casa está abandonada, jogada as moscas. Meu lar, recanto de meu antigo lamurio está assim por culpa minha, de meu esquecimento, da minha falta de criatividade e ausência suprema de sentimentos.

Sinto-me de novo assim, só em meu estado de ser. Vazio de uma forma já sentida, já relatada e que por vezes me apetece.

Não tenho sensações e sinto ter esquecido meu coração em outro lugar, desconhecido até então.

Meu peito não pulsa mais, parece cheio de si, um pouco eloqüente, mas sem emoção, sem a vida que tantas vezes o caracterizou.

Meu semblante é calmo, alheio ao que acontece, alheio a vida, ou a falta dela que pondera em meu vazio, por vezes sombrio.

O sangue parece congelar em minhas veias, antes tão incandescentes. Meus olhos não fitam mais o além, ou infinito. Sinto desprezo por meus pequenos olhos, olhar de indiferença, da mais pura falta do saber, do sentir.

Estou vazio, isso deve bastar de descrição.



Matheus.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Sobre sussurrar.


Eu escrevo, na madrugada, como sempre. Eu penso, mais uma vez, em nós dois. Eu fico, de novo, só em meu leito.

Ainda por estas mesmas linhas me remeto ao saudosismo, relembro cada palavra, gesto, ou atitude para abrir um sorriso, ainda tímido que seja.

Sussurro por minha alma as palavras que tanto tentei lhe falar, mas que por vergonha, ou ocasião não foram ditas. Abro meu coração para te mostrar que não sou mais um, sou teu, aquele que te ama e não consegue mensurar isto.

Minhas lágrimas secaram, já não escorrem mais. Meus olhos se fecham e começo a fantasiar o sonho, nosso futuro já escrito.

Minhas mãos estão livres, sem nada a prendê-las. Meu coração bate, invariavelmente por ti, só por ti.

Dona de todos meus sentimentos e suas variações. Minha frieza se esvaece em mais uma dose do meu sentimentalismo dedicado a tua pessoa.

Com amor,


Matheus.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sobre o longo tempo.


É verdade, faz tempo que não apareço por aqui, mas hoje volto ao meu lar, meu recinto secreto e querido.

Meu coração ainda descansa na mais sublime paz e meus pensamentos continuam voando pelo mundo do faz de conta.

Meus olhos estão abertos, mais que nunca, para perceber que não sonho mais, mas vivo a intensa realidade de um amor mais que consolidado.

Meus sentimentos parecem aflorar perto de ti. Meu coração de gelo começa a derreter e me torno completamente indefeso, sem armas contra este sentimento tão puro que me domina.

Minhas mãos procuram as tuas e as encontram de novo. Meus olhos fitam teu lindo rosto, como se eu quisesse guardar este momento para sempre, todo o sempre.

Ainda assim, neste encanto, eu digo que estou bem, melhor do que nunca e com um coração curado, esperando só o próximo abraço.


Matheus.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sobre sonhar.


Eu sonhei, por mais uma vez. Ainda em transe pude enxergar teu belo rosto. Pude ver por mais uma vez teu belo olhar, este que jamais sairá de minha memória.

Por entre sorrisos alcancei minha felicidade, mesmo que inconsciente, longe da realidade. Meu peito parece se abrir de novo, e novamente por ti, só por ti.

Tu que me conquista todos os dias. És tu, com teu jeito querido, que vem me deixando mais apaixonado, louco de um amor sublime que me faz sonhar e querer isto sempre.

Hoje eu te escrevo de peito aberto, contando nos dedos os dias e as horas para te ver, te abraçar e descobrir que tudo isso é verdade.

Eu te amo e te digo do fundo de meu coração, por vezes desaparecido, que tu és minha, só minha. Entre meus lapsos de sensatez e delírios noturnos, eu, me entrego ao sono.

Adormeço de novo, mas com a certeza que tudo dará certo, que segurarei na tua mão mais uma vez e juntos continuaremos, tal qual meu conto de fadas.



Matheus.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sobre Explodir.


Sinto-me pesado. A raiva parece pairar sobre mim, sobre tudo que penso. Respiro fundo, algo não me faz bem, não hoje.

Meus receios parecem voltar, tirando minha tranqüilidade. A dor em meu ego é grande, quase insuportável. Meu humor varia a cada sensação e pensamento que tenho.

Expludo em um grito sem voz, em um choro sem lágrimas e em uma raiva sem precedentes.

Canso-me, perco meu último suspiro de glória, desisto de lutar uma batalha já perdida e somente fantasiada em minha mente.


Até breve e a um novo capítulo.


Matheus.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sobre ficar assim.


Já é tarde, eu sei, mas não tenho sono. Pego-me pensando, recordando de fatos que me deixam feliz, sem algum motivo prévio, ao menos não aparente.

Estou cá, em meu canto, meu doce lar e recanto de minha escrita, por vezes, insana. Minha saudade é imensa e meu coração palpita como nunca, ou talvez como sempre se tratando dela.

Meu sorriso parece leve, juro que não sei o que me faz rir, mas também sequer me importo de não saber. Jogo ao vento tudo que senti e continuo sentindo, dou graças ao destino, a tudo e a todos pelo que ainda mantém isto vivo, cada vez mais pulsante.

O tempo já não é mais meu inimigo, não hoje. Meus pesares começam a desaparecer ao raiar do sol, no começo de um novo dia.

Até breve e com um beijo lhe espero.


Matheus.

sábado, 17 de julho de 2010

Sobre a minha felicidade.


Hoje eu vos escrevo feliz, por mais estranho que isso possa parecer. Meu comodismo pela tristeza se fora e devo admitir minha falta de jeito em descrever tal felicidade.

É verdade, pensei, mas ainda não cheguei a uma conclusão primária de como transcreverei tal sentimento aqui, agora para os que ainda teimam em ler tais devaneios.

Meu sorriso está estampado, sincero devo dizer. Meus olhos ainda te enxergam em todos os lugares, devo admitir que eu realmente amo isto.

O fardo não me é mais doloroso, muito pelo contrário. Sinto-me bem, um pouco estranho em falar, falar e sequer chegar aos pés do que tento lhes passar. Meu coração bate forte, convicto de sua escolha, a verdade é que eu sempre tive certeza disto.

O para sempre parece se tornar tão casual, não mais utopia, ou uma mera brincadeira de criança. Meu conto de fadas já tem seu final feliz todo desenhado e pasmem, não fui eu que o fiz.

Despeço-me decepcionado com minha falta de habilidade, mas com uma alegria imensa, radiante que por hora me faz chorar, lágrimas da mais branda e pura paixão.


Matheus.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Sobre a minha alma.


Devo estar sem criatividade e não tiro a razão. Devo ter sufocado minha forma de escrever em algum lugar, pois ela simplesmente desapareceu. Perdi meu hábito, desfiz uma rotina antes tão prazerosa e boa.

Por linhas e entrelinhas tentarei sucumbir meu ódio por estes fatos a uma nova história, mas, provável, do mesmo amor.

Muitos pensam me conhecer, mas a verdade é que eles pouco sabem. Julgam-me por coisas que sequer conhecem, ou por palavras e suas formas variadas de interpretações. Sou, é verdade, uma pessoa eloqüente e poucos têm a chance de realmente saber quem se esconde por detrás desta máscara.

Meu coração por vezes me entrega, ele é constante e eu o conheço como ninguém.

Somos um só, sentimos e processamos a mesma coisa, por mais que eu diga o contrário em algumas ocasiões.

Dizem que sou louco, aliás, até eu às vezes penso ser. Mas a verdade é que eles, estes que me condenam, jamais viveram a loucura de uma paixão.

Ainda sigo meus instintos, sou completamente controlado por eles. Sou fechado, recluso e pouco acessível, é verdade não dou muito espaço aos que não conheço, ou que não quero conhecer.

Tenho um complexo infinitamente estranho quanto a intimidades. Por hoje eu fico por aqui e quem sabe na próxima eu volte ao melodrama.


Matheus.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Sobre uma sensação.


É tarde, já adentrei a madrugada, mas curiosamente não sinto sono algum. Meus olhos teimam em continuar abertos, mesmo quando que quero me desligar de tudo, ao menos por um instante, ou talvez algumas horas.

Sei, eu sei o que me causa, ou o que sou e talvez isso tire o meu sono. Meu constante humor rabugento e por vezes mais que grosseiro, agora, parece mudar um pouco.

Sinto-me diferente, algo dentro de mim parece me proporcionar momentos de incrível tranqüilidade, ou risadas sem algum motivo aparente. Solto meu grito preso, minha voz até então enfraquecida e descubro alguma paz, de espírito talvez.

Meu momento é estranho, não sei se isso é bom, ou o que me proporcionará, mas talvez, eu, saiba de onde isso surgiu e isso realmente me agrada.

Sem mais delongas vou ao encontro de meu cobertor, enrolar meus cabelos, já não tão longos, para redescobrir o sono que em alguma parte perdi.



Matheus.

sábado, 5 de junho de 2010

Sobre a minha carta.


Olá, sim sou eu mais uma vez. Já faz tempo que não dirijo a palavra a ti, ou sequer menciono teu nome, mas acho que enfim chegou à hora.

Não sei se sabes, ou não, que vou me mudar e voltar aos pagos que tanto gosto.

Também não sei o motivo para te escrever isto, mesmo sabendo que tu não te importas, ou faz pouco caso do que penso e sinto.

Venho mais uma vez te pedir desculpas, mil delas se for possível.

Jamais quis te chatear, ser algo inconveniente na tua vida.

Queria que tu soubesses que um dia gostei de ti, mesmo que isso não tenha sido recíproco. Fui um bobo apaixonado e por um período pequeno fui uma das pessoas mais felizes, só por estar ao teu lado.

Sei que tudo acabou e me contive, tentei me afastar, mesmo que escrevendo textos que a ti seriam endereçados.

Jamais tornei a falar contigo, seja por vergonha, ou tentando evitar uma situação um tanto constrangedora.

Contudo ainda continuo a te admirar e sigo bobo por um sorriso que me marcou.

Uma vez te agradeci pelo que tu me mostraste e pelo que tu revelaste em mim. Hoje te agradeço novamente. Consegui descobrir algo que não era visível e ainda conheci minha primeira paixão, aquela que ainda por fotos mexe comigo, faz com que perca algumas reações.

Não sabes a felicidade que tive ao ver aquela camisa tão especial em alguém que gosto tanto.

Fico sem palavras e até bobo de pensar que ainda tens algo que lhe dei com tanto carinho.

Despeço-me de ti por esta carta, um tanto quanto tosca.

Queria que tu soubesses que ainda és querida por mim e que um dia ainda espero ser teu amigo.

Um beijão e que tudo de bom aconteça para ti.


Matheus.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sobre adormecer.


Durmo, no silêncio da madrugada consigo adormecer. Dou trégua a meu constante conflito, minha eterna batalha.

Estou perdido em meus sonhos, em minha cabeça por vezes vazia e agora tão cheia.

Não sei onde estou e sequer faço idéia de como sair daqui. Estou preso em meu próprio delírio, talvez em meu próprio destino.

Meus olhos continuam fechados, quem sabe para sempre, na busca do infinito que tanto sonhei.

Respiro de uma forma rápida, meio afoita. Sinto me acelerado e tento fugir em vão do que dentro de mim ainda me assusta.

Acordo, no mais tardar do abrir dos olhos. Levanto e, como se nada tivesse acontecido, caminho ao horizonte, de pés descalços apreciando o mar.


Matheus.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sobre meu ódio.


Eu odeio, e como odeio isso. Tenho pavor, receio e vergonha. Tenho ódio, muito ódio em te querer, te amar desta forma.

Odeio-me por me sentir assim, mesmo sabendo que tudo tende ao contrário.

Eu sinto saudades. Perco horas de sono, talvez pensando em como te falar tudo isso, ou quem sabe tentando esquecer que tu existes. É em ti que eu penso antes de dormir, ou ao lembrar de coisas boas.

É por ti que já lutei, perdi e mesmo assim continuo sonhando.

Eu corro, entre corredores, de minha própria cabeça tentando esquecer. Sei, sempre soube que eu não havia esquecido. Meu coração não carece mais de sentimentos, é nutrido por algo que me atormenta, porém sem mais a tristeza de meses, ou anos atrás.

Sinto-me morto, na busca constante de alguém que sequer se importa. Sinto-me envergonhado, sujo em minha maneira de existir.

Meu amor é brutal, escuro, meio egoísta e intransigente. Não é normal, nem para mim, talvez para ninguém.

Nada parece certo, e já me perco em minhas alucinações.

Fujo, sem destino, até uma próxima quem sabe.



Matheus.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sobre a cabeça.


Voltei ao meu lugar. Sentado em meu trono, sublime e sereno. Meus cabelos voltam a ser castigados e meus olhos ainda se perdem no escuro da noite.

Voltei ao meu lar, à casa de minhas palavras, nem sempre belas, muitas vezes ásperas.

Redescobri meus pensamentos, minhas razões e sentidos. Meus trêmulos e gelados dedos ainda digitam com dificuldade tudo que se passa pela minha confusa, perturbada e já preguiçosa mente.

Meus bocejos quebram o silêncio que pondera e meus olhos piscam como nunca. Voltei, mas ainda não sei como explicar.

Minha cabeça dói, explode em lembranças, pensamentos e o que mais lhe for cabível de imaginar.

Vou dormir, em direção a minha cama, silenciar e desligar tudo o que me move, ao menos por agora.


Matheus.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sobre a raiva.


Meus punhos estão cerrados. Meu semblante se fecha.

A raiva me domina. Meu sangue ferve, pulsa por minhas veias incandescentes. Meu nariz ainda expira o ar de forma nervosa, descompassada.

Meu peito se acelera, mostra vida em sua derradeira aparição. De meus pensamentos vejo só a fúria que carrego e que não penso em perder.

Sinto me vivo e, mais que isso, sangue pulsante, não mais ameno.

Sinto as batidas me acordarem, me chamando mais uma vez. Desperto enfim, talvez essa seja a hora.


Matheus.

terça-feira, 30 de março de 2010

Sobre Tony - 4


Seus olhos se abriram vagarosamente. Tudo ainda girava e parecia em constante movimento. Sua cabeça agonizava em uma dor suprema, talvez de outro mundo, ou outra bebida.

Ainda sem muito equilíbrio ele se levantara. Seus olhos escancaravam a face de sua última noite. As olheiras eram mais que visíveis, tornavam-se características deste rosto mais que marcado.

Seus cabelos mais que escabelados, oleosos e com um forte odor de fumaça. Seu corpo pedia clemência, pedia descanso e exalava o mais puro cheiro da bebida dos últimos dias.

Acordara completamente nu, entre lençóis brancos completamente imundos na mais pura perversão que se pode imaginar. No chão e em cima da cômoda ainda eram avistadas garrafas e preservativos.

Ao seu lado, ainda na cama, dormira uma bela jovem, da qual Tony não se recordava e que também não fazia questão de tal.

Seus martírios cotidianos ainda o impediam de se relacionar mais a fundo com quem quer que seja.

Já passava do meio do dia e ele estava faminto. Não comia há dias e não saia à luz do sol a semanas, sequer sabia que dia era.

Vestira-se com seu jeans mais gasto, com sua camisa preta casual e os óculos que lhe protegia dos fortes raios de sol, ou que somente servia para esconder sua face mal dormida.

Deixara tudo para trás, mais uma vez, mais uma mulher e com o andar vagaroso foi em busca de seu almoço, talvez seja um recomeço, ou apenas uma parada obrigatória.



Matheus.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sobre alguns versos.



Eu sou assim
Seja sol, ou luar
como as flores do jardim
Para jamais mudar

Eu sou assim
como folhas ao ar
voando enfim
para o seu lugar

Eu sou assim
Fogo, ou mar
Do inicio ao fim
para sempre te amar






Matheus.

terça-feira, 16 de março de 2010

Sobre um eu.


Estou aqui meio pensativo. Quem sabe este sou eu. Sou o Matheus das entrelinhas e frases soltas. Talvez este sempre fora eu, mesmo que distante de minhas características, ou até pensamentos.

Sim, fui sempre eu. Meu primeiro personagem, meu ultimo amigo, ou meu pior inimigo. Das inconstâncias assustadoras ao que chamo de amor supremo, não, definitivamente este não parece comigo.

Por ora aquele da piada fácil e grosseira, amigo constante de meu senso de humor, sim, este parece mais comigo.

Ainda por trás da máscara que cobre tudo que um dia falei, visto outra e reverto o que criei.

Recrio todo o clima que um dia não fora favorável e reinvento minhas próprias batidas.

Como um dia fui eu, sim é verdade. Dos sentimentos exaustivos e a flor da pele, do extremista arrogante e das falácias irreais. Da falsa síntese de minha própria personalidade.

Talvez das emoções inventadas, das falsas e belas declarações, ou do sonho e perfeição que jamais sairão da minha mente.

Meu corpo pede passagem perante o calor, minha mente diz que é hora do novo e mediante a este sorriso, sim este sempre fora meu, tudo é recriado, sem fim e sem meio, talvez até sem um começo para este eu que sempre esteve aqui.



Matheus.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sobre ser assim.


Eu sonhei, confesso que fui iludido por minha própria cabeça. Acreditei no que sempre condenei. Pareço livre, mas não gosto de diagnósticos precipitados.

Conheço-me como poucos e sei de minha constante inconstância, por mais que isso pareça contraditório.

Estou enclausurado em minha própria prisão, longe de tudo que um dia me fizera sofrer. Cá em meu canto, eu, procuro minha identidade, já não mais bem definida por tantas idas e vindas de algo que me domina.

Meu jeito espontâneo parece prevalecer, mas realmente não sei até quando isso pode durar. Eu sou assim, sempre fui. Sou grosso, sou rude e isso jamais vai mudar.

Adoro minha confiança exacerbada e minha arrogância, elas, fazem parte de mim, de quem me tornei e de quem tanto gosto de ser.

Meu coração parece estar guardado, longe daqui e mantido a sete chaves.

Ele dorme em um silêncio absoluto, talvez a espera dela para acordar, ou em um sono definitivo, para que o sempre seja respeitado.

Os ruídos tentam lhe despertar, tirar-lhe da paz em que, eu, hoje vivo.

Fecho meus olhos e por instantes tento retomar o que um dia criei, falei e escrevi.

Suspiro em uma ânsia de encontrar o que fora capaz de me mudar, me transformar nesta inconstância de sentimentos, ou da falta deles.

Ainda em transe minhas mãos formigam e pedem clemência para meu espírito e minha alma.

Desperto e, com sono, lembro que eu sou assim, sempre voltando ao inicio, ao mesmo Matheus do começo.




Matheus.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sobre coexistir.


Sinto-me livre. Estou distante de meus males sorrateiros, de meu sentimentalismo exacerbado e, por vezes, mais que nojento.

Estou contente, não, talvez satisfeito seja a palavra ideal.

Meu peito não pulsa. Não deliro mais em algo inexistente e sombrio.

Fui agraciado com meu humor. Sou minha própria piada pronta, no sentido bom da frase, isso se ele realmente existe.

Meus olhos parecem denunciar cada gota do sarcasmo que destilo por minhas palavras. Meu riso irônico não agrada aos outros em sua maioria, mas cá entre nós, isso nunca me foi relevante.

Já posso rir, na verdade sempre pude. Faço minhas análises e dou meus próprios diagnósticos. Sou meu psicólogo, meu psiquiatra favorito e embriagado.

Tenho meus momentos de sensatez, mas não que eles durem muito, nem eu acredito nessa minha frase.

Pego-me pensando, peco em meus pensamentos estranhos. Estou vazio, completamente vazio em meu existir. Gosto e adoro tal frieza de fatos, de sentimentos, ou da falta deles quem sabe.

Coexisto em minha maneira de ser, estar alheio a tudo que não me agrada.

Modéstia a parte, eu, sou meu melhor amigo na luta contra todo conto de fadas que um dia criei e hoje luto para destruir.


Um até breve, talvez confuso, deste que vos escreve.

Matheus.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sobre Tony - 3


Sua idade não condizia com sua aparência. Não passava dos 31, mas seu rosto era marcado pela barba mal feita, pelas cicatrizes e marcas da vida. Seus olhos pareciam aflitos e em constante luta interna.

Tudo era complicado para Tony. Sua vida parara em certo ponto, por certa pessoa.

Já se passavam meses desde sua última visita, mas nada mudara, não para Tony.

Seu coração ainda se acelerava ao vê-la, ao sentir seu cheiro e tocar-lhe seu corpo, mesmo que em um abraço amigável.

Ele ainda a sentia presente, dentro de si e aquecendo seu coração de gelo.

Ela, do nome já esquecido, fora a única a fazê-lo derramar lágrimas, sejam de amor, ou da mais pura dor.

Sentado em seu sofá, Tony, ainda olha a velha aliança que guardara na antiga cômoda.

Ele não dormira, não hoje e talvez nunca. Passavam-se 7 anos, neste mesmo dia, e Tony jamais esqueceria do dia mais feliz de sua vida, seu casamento.

Toda noite, antes de dormir, ele pensa no que errou e em como poderia consertar tais erros.
Quem sabe um dia ele conseguirá mudar seu próprio destino.


Matheus.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sobre Tony - 2


Já era noite quando ele chegara. Seu perfume cítrico espalhava-se pela ante-sala e anunciava sua entrada.

Seus passos cavalares pareciam fugir de algo, ao encontro do infinito talvez.

Andava cabisbaixo, sem perspectivas ou ideais neste vago momento.

Todos o olhavam, conheciam sua face, seus temores e anseios.

Sentara a sua mesa, sempre a mesma, reservada para ele. Com os olhos encharcados ele balbuciava palavras em um tom baixo, quase inaudível.

Seus punhos cerrados iam de encontro à madeira, estremeciam a mesa, quase como gritos de uma alma em chamas.

Sua respiração calma destoava de seu comportamento agressivo, por vezes grosseiro e desesperado.

Suas pernas balançavam em uma agitação fora do comum. Tragava seu charuto de uma forma rápida, inconstante e nunca desacompanhado de sua garrafa de whisky.

Seus gestos pareciam demonstrar algo, talvez à decepção, ou o desprezo que tanto o assombrava.

Seus gemidos foram silenciados pelo tempo, pelo passar do relógio, ou dos goles que o fizeram cair, em um sono profundo, na solidão corriqueira.


Matheus.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sobre a minha revolta.


Meu ódio me possui de tal forma. Minha face emana luz, calor e raiva. Meus olhos se abrem, finalmente, depois de tanto tempo. Meu juízo parece ter voltado a ponderar sobre minhas ações, reações e pensamentos.

Não sou mais o mesmo, não hoje, não nestes últimos dias que se passaram.

Já não me importa o que acontecera, ou que virá e nada mais me é agradável, não desta forma, desta maneira.

Rio de minha mais estapafúrdia decisão, de meu mais completo fracasso e da sublime condição do ridículo que passei. Sou meu maior fã, meu único ídolo e jamais terei de passar por tamanho constrangimento, não assim, não comigo mesmo.

Meu orgulho volta a falar mais alto e consigo mostrar quem eu sou.

Cansei, sem falsa hipocrisia, da minha forma de ver tudo, do conto de fadas absurdo que um dia criei.

Tudo se dissipa em uma nuvem negra, solitária e bela, tal como a chuva que a acompanha.

Pingos gelados que esfriam meu coração de pedra, minha face incandescente e meus pensamentos infames.

Sou eu, talvez sempre fora, que vai controlar o que vivo e o que quero viver.

Sorrio, sim, isso é possível.


Matheus.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobre Tony - 1


Seu olhar destoava dos demais, era forte e por vezes arrogante. Mesmo sob a forte chuva que caia, seu jeito imponente denunciava seu modo de ser e de agir.

Cabelos longos e a barba mal feita, típica de um bom boêmio cheio de si.

Andava sob os ladrilhos com uma confiança exacerbada e de certa forma irritante para com os outros.

Seu caminhar desajeitado, por vezes descompassado mostrara sua verdadeira falta de compromissos.

Andava sozinho, seja pelas mesas de bares, ou pelas ruas da cidade. Seu copo de whisky parecia seu fiel e talvez único companheiro. Gozava da arrogância predominante em qualquer gênio. Era viciado em jogos, álcool e mulheres, mas nada que atrapalhasse sua brilhante mente, ou seus mirabolantes pensamentos.

Era um escritor da noite, não mais um menino que escrevia suas decepções. Suas lamurias agora eram desabafadas entre um copo e um tragar do charuto que tanto gostava.

A noite era sua terapia, sua grande paixão e aquela que por tantos e tantos dias o escutara.

Parado, ainda na chuva, ele observava, mesmo que encharcado, a vastidão de mais uma noite de verão.


Seu nome é Tony e ele apenas começou.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sobre minha analise de verão.


O calor parece me consumir em um braseiro sem fim. Bocejo e meus olhos teimam em se fechar.

Enrolo meus cabelos na busca das respostas, ou talvez das perguntas certas a serem feitas.

Sinto-me bem, diferentemente das últimas vezes que escrevi. Meu ego acostumou-se a tal estigma, tal semblante e posso dizer que isso é bom.

É verdade, a saudade me bate por vezes, para não dizer sempre, mas tenho de avisar que isso já não me machuca mais.

Meus receios parecem ter se esvaecido em um gole de bebida, alcoólica de preferência.

Ainda de bom tom posso afirmar que estou de bem comigo mesmo e que na maioria das vezes sou quem sempre quis ser.

Meus pensamentos insanos e, às vezes, divertidos me fazem rir de mim mesmo, ou da desgraça alheia.

Não me importo com o que falam, ou pensam de mim e isso me faz um bem sem tamanho. Gozo da liberdade, do poder de ser quem mais gosto e não dar à mínima aos outros.

Prezo minha arrogância e tamanha falta de sutileza para ter perto de mim somente quem eu gosto e mais ninguém, sem exceções.


Um abraço grande Adolf, é sempre um prazer conversar contigo.

Matheus.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Sobre a nova década.


Já é janeiro e cá estou, ainda, sob a influência de minha escrita para dormir em paz.

Meus medos, hoje, parecem esvaecer em uma década nova, em um ano esperançoso, ao menos quero acreditar nisto que vos escrevo.

Ando diferente, talvez o início de um novo ano tenha influenciado em minhas decisões, ou pensamentos.

Minhas batidas constantes parecem ter dado trégua e hoje meu coração já não chora mais, como um dia já chorara. Meus sentimentos se confundem a cada volta do relógio, a cada gole da minha bebida. Sinto-me diferente, talvez abstraído da culpa que por tanto tempo me cercara.

Meu sorriso ameaça se abrir e de forma simpática vejo novos rumos, com estes pequenos olhos que tendem a se fechar.

Gosto de pensar no recomeço, em tudo que um dia planejei e que ainda pretendo cumprir.
Sob a luz da lua, que ainda ilumina minha madrugada, eu, vou conduzindo meu novo início, minha nova chance de recomeçar.

Ainda tenho esperanças de reaver tudo que um dia tive e que com ela eu possa passar mais muito tempo nesta nova década tão esperada.

Despeço-me grande Adolf e que tu tenhas um grande ano, tal qual espero para mim.


Matheus.