sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Sobre a juventude - 10 anos.


Tenho por volta de 10 anos, sou estranho, até que não tanto para esta idade.


Uso bermudas, calças de moletom no inverno, algumas até com joelheira, e camiseta na maior parte dos dias.


Vou à escola e me sinto um garoto comum. Tenho cabelos grandes, quase isso, porém o corte ainda é definido por minha mãe. Ainda uso chuteiras e espero ansioso pelo recreio, ah o recreio e seu futebol, ou a falta dele.


Corro serelepe pelos corredores da escola. Preocupo-me a toa, pois sequer provas eu tenho nesta idade.


Ainda não tenho espinhas e o aparelho sequer fora cogitado. Participo de uma campanha fotográfica. Sou modelo juvenil, ou quase fui.


Alguns adultos me acham bonito, no entanto esta afirmação passa longe das garotas de minha sala e até de mim mesmo.


Sinto-me inteligente e quem sabe até sou. Minha caderneta demonstra problemas comportamentais e isso apesar de me deixar encabulado, até que me satisfaz.


Apronto das minhas e sempre ando pela sala da coordenação. O sermão corre solto, mas em um futuro próximo, quem sabe eu venha a me gabar de tamanhas peripécias de uma mente criativa.


Jogo um razoável futebol, não sou lá um craque, mas me esforço. Diria que ando com a elite e isso até que soa engraçado. Gostávamos das mesmas garotas, era o senso comum.


Dizia aos amigos qual achava bonita, mas escondia para mim o verdadeiro gosto. Temia ser execrado e vivia a adrenalina de revelar meu gosto.


O dia escolar acabava e, quase sempre, os outros viriam a ser iguais. Meus hábitos não mudaram muito, apesar de descobrir que minha confiança aumentara com o passar dos anos, longos anos.


Tornei-me arrogante e, sinceramente, acho isto uma grande qualidade.

Discuto calmamente e sem perder a razão gosto de humilhar, quando possível, quem ousara duvidar, ou discutir comigo.

Adolf, o retrospecto está feito e quase nada mudou, até aquele carnaval, até aquela garota, mas tudo voltará e como de praxe a criança voltará.



Matheus de 10 anos.

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