quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Sobre a minha melhor personalidade.


Levanto, vagarosamente, de meu incessante sono. Sono brando e leve, a famosa soneca de sofá.

Por hora, gargalho intensamente. Agitado e com gargalhadas cada vez mais profundas acabo demonstrando meu nervosismo.

Estou aflito comigo mesmo e já anseio acabar com este que agora me causa raiva.

Assombra-me tamanha capacidade de reação que demonstro estar tendo e a cada segundo que passa sei que o fim disto tudo se aproxima.

Não seguro mais o breve e silencioso lamurio, ele já não existe, não nesta noite, e tenho algumas centenas de palavras engasgadas, das quais dolorosamente guardo esperando a hora certa.

Resguardo-me e quanto mais o faço, mais tenho o consenso de que quem me fez mudar está fazendo tudo para que eu volte, não só em breves momentos, mas sim de forma triunfante, diria até sensacional pelo que posso ver dentro de mim.

Congelei o último momento, foi bonito, mas agora se torna banal. Joguei ao vento o resto dos batimentos que sustentavam meu coração.

Minha face ilustra quem eu sou e tenho de dizer que fui agraciado com o dom.

Meu sorriso é de canto de boca, os olhos estão quase fechados e levanto a sobrancelha como em um ato irônico.

Minhas atitudes, mais que sarcásticas, demonstram a arrogância de quem sabe que é capaz. Trato a mim mesmo com intenso fervor e admiro-me a cada dia, ainda mais tratando deste que fiz e continuarei fazendo pela vida toda, modéstia a parte, muito bem.

Adolf, minhas confissões vão chegando ao fim, tal qual este melodrama que vivi sozinho. Vou a minha cama reluzindo intensa serenidade e, talvez, um pouco de rancor, para botar lenha na fogueira.

Digo boa noite. O que é meu voltará, estou a espera de meu tesourou, minha nada bela e antipática antiga personalidade.



Matheus.

Um comentário: